CAPA DO, TERCEIRO CADERNO 427

Pioneirismo






Manoel Bispo - um pioneiro de múltiplas facetas

 REINALDO COELHO


O pioneiro da semana é artista plástico, professor, poeta e compositor, nacionalmente conhecido, Manoel Bispo, paraense, nascido na cidade das mangueiras e capital paraense, Belém há exatos 69 anos. Abençoado pelos sons das baterias das escolas de samba paraense, além de que começava o fim da II Guerra Mundial e o Brasil naquele mês (21 de Fevereiro de 1945) marcou sua presença na guerra,  com a tomada do Monte Castelo.
 
Um pioneiro de múltiplas facetas
Manoel Bispo Corrêa e assim que esta registrado pelo pai Paulo Roberto Corrêa (Mestre Paulo) e Maria Bispo Corrêa. Ainda criança a família se mudou para o Amapá.

Os primeiros estudos da Manoel Bispo aconteceram na antiga Base Aérea do município do Amapá, que tinha sido montada para receber os aviões norte-americanos que aqui abasteciam durante a segunda grande guerra mundial.
Aos 9 anos de idade, em 1954 mudou-se para a capital do então recém-criado Território Federal do Amapá, Macapá, onde estudou em vários colégios (Alexandre Vaz Tavares, Azevedo Costa e Colégio Amapaense). 

A arte no sangue

Começou a pintar e a escrever aos 16 anos de idade. Estudou Belas Artes no Rio de Janeiro. De acordo com o escritor Paulo de Tarso Barros -  Manoel Bispo é um “artista de múltiplas facetas, consciente do seu fazer poético, um criador que sabe manusear os vocábulos com maestria e compor poemas marcantes, verdadeiras obras de arte, frutos de uma mente talentosa. Temos o maior orgulho de conviver com um artista dessa magnitude, que atingiu um nível literário admirável, igualando-se aos grandes nomes da literatura universal. É uma dádiva ter ele escolhido a nossa terra para daqui enviar seu canto belo e denso, cheio de sutilezas que engrandecem a poesia”.
 Família e estudos

Manoel Bispo e a filha Ana Paula
Em 1971 casa-se com Oneide Lima Correa e, no ano seguinte, viaja para o Rio de Janeiro, formando-se em supervisão escolar (pedagogia). Durante três anos, contemplado com uma bolsa de estudos, cursa Belas Artes, no Rio. Retorna a Macapá em 1979, exercendo a função de supervisor escolar em vários educandários. É membro da Academia Amapaense de Letras e da Associação Amapaense de Escritores. Em 31 de agosto de 1989, com a reorganização da Academia Amapaense de Letras, é escolhido como membro. 

Trajetória pública
Exerceu, dentre outros cargos, o de presidente da Fundação Estadual de Cultura-Fundecap, Conselheiro de Cultura durante muitos anos, diretor da Escola de Arte Cândido Portinari e sempre foi um participante ativo dos movimentos artísticos e culturais do Amapá, cuja trajetória é um observador perspicaz, lúcido e com uma visão privilegiada.

Livros e poema
Manoel Bispo já publicou os seguintes livros de poemas: Cristais das Horas (1978); Mental Real (1986); Canto dos meus Cantares (1990); Intátil (2002) ); Amostra Grátis (2004), poemas,Tarso Editora, edição artesanal) e Palavras de Festim (poemas, 2007) e participou das antologias Coletânea Amapaense (1988); Coletânea de Poesias Poetas do Meio do Mundo (2009); Coletânea de Contos - Contistas do Meio do Mundo (2010), sendo que coordenou e organizou estas duas e está coordenando mais duas coletâneas: uma de crônica e mais uma de poesias. Fonte: blog da Associação  Amapaense de Escritores - APES 



Legenda
Palavras de festim.   Poesia.  Macapá: 2007. 










(Poemas compostos com recursos gráficos, visuais).













“Curtos, sintéticos, envolventes e eu nos conduzem, texto a texto, por uma profusão de imagens, sensações e percepções que só a magia  vocabular de um grande poeta tem a capacidade de registrar.”  PAULO DE TARSO BARROS




ANTENADOS

Qual é a sua arte?

Sim, porque todos temos uma arte. Muitas vezes a arte das galerias nos leva a pensar que a nossa própria arte não vale a pena. No entanto, fazemos arte, porque sem arte é impossível resistir à dura sobrevivência. 
E a nossa arte não precisa sequer fazer sentido. A arte não nasce nem se consolida com a pretensão de delimitar verdades, dizer verdades, ser uma verdade. A arte, ao mesmo tempo que é técnica e empenho, transcende as coisas materiais, afirmáveis e mensuráveis pela razão. 
Você faz arte, deve se perguntar sobre ela e, acima de tudo, esforçar-se por não conferir a toda manifestação artística um papel secundário, terciário na sua vida.
A arte pode escrever, pintar, desenhar, rabiscar, pichar, compor, construir, decorar, enfeitar, cantar, dançar, plantar, esculpir, recortar, colar, declamar, maquiar, cozinhar... A arte pode ser tantas, tantas coisas. E pode ser até mesmo aquilo que ainda não tem nome.
O senso estético extrapola os próprios limites formais daquilo que se convencioniu chamar "arte". A arte admite as convenções, sim, mas também ama a quebra delas.
É curioso que, diante de um belo quadro, quase nunca nos perguntamos qual a função ou a utilidade dele. De certo modo, já aprendemos que um quadro, pragmaticamente, não tem função alguma, mas deve existir em si mesmo. 
Alguns podem até insistir: "Mas a função de um quadro é enfeitar!". Sim, mas para que enfeitar? Para ficar belo. E o belo para quê? A razão não encontra utilidade prática para isso.
Mas o belo é belo e, mais uma vez, sem ele não se vive. E a noção de belo pode e deve ser tão múltipla, pessoal e íntima quanto as noções da própria arte. 
Diante do quadro, indiscutivelmente afirmamos: "É arte!". Mas, diante de tantas outras coisas, ainda trepidamos: "Será que isso é arte?".
Diferentemente da pintura, por exemplo, muito se tenta conferir à Literatura papel tão fortemente social, panfletário, político, combativo, educativo..., que a Literatura acaba se reduzindo a tantas outras coisas pretextuais, e muitos já não a enxergam como aquilo que é: arte inteira.
Obviamente, a Literatura pode ensinar, veicular ideias, ajudar a entender a sociedade. Mas ela não é apenas uma ferramenta filosófica, sociológica, antropológica, cultural. Ela supera. 
Uma vez sendo arte, assim como a arte pode muito bem nos ajudar a compreender o humano e educar a nossa sensibilização através do senso estético, a arte se extrapola. As funções envelhecem e a arte fica.
Por outro lado, acreditar que a arte está encerrada em redomas de ouro e coberta pela poeira sacra do tempo, empanturrada de honras pelos séculos é tolice. 
A arte de antes não anula a arte de agora, a arte que fazemos em casa, a arte dos nossos tímidos versos, e dos nossos acanhados enfeites, e das nossas introvertidas composições. O que você faz na sua vida é arte, mesmo que a imensidão da arte feita antes de você o leve a temer a crítica. 
Não tema a crítica. A arte é como a própria vida: não precisa da aprovação do outro para existir. Não deveria. Somos responsáveis por aquilo que fazemos e é preciso romper as amarras e deixar que a arte supere o medo da opinião alheia. É arte aquilo que dá sentido à vida, questionando, ao mesmo tempo, o sentido de todas as coisas.


ENTRELINHAS



O mal personificado e as eleições
Raquel sai aos prantos da sala, corre alucinada, irrompe pela porta e some em meio às trevas noturnas. Personagem principal, Raquel é toda bondade, correção, dedicação ao trabalho e voltada para o bem, mas apesar disso é sistematicamente escorraçada e humilhada por Odete Roitman. Esta, maligna em toda sua essência, vive apenas para fazer o mal e infernizar a existência de Raquel e de outras tantas pessoas. Facínora, está pronta para o mal antes mesmo de sair da cama. Todas as suas ações, sem exceção, são más, sua vilania não tem limites. Multimilionária graças aos golpes do baú e às transgressões e pilantragens econômicas, odeia sua terra natal e matou várias das pessoas que cruzaram seu caminho. Eis uma configuração clássica do mal como caracterizado há algum tempo atrás. As produções artísticas mexicanas eram exímias nesse tipo de construção. Qualquer um que representasse o mal personificado exibia não apenas comportamentos condenáveis, mas sua expressão física deveria ser assustadora. O rosto tinha que ser desagradável, o corpo contorcido, usar tapa-olho, os dentes imperfeitos, a risada malévola e nenhuma de suas atitudes era do bem, todos os seus comportamentos, sem exceção, eram voltados para o mal.

Atualmente as coisas parecem um pouco menos claras. Gru, personagem de Meu malvado favorito, estoura balões de crianças, congela pessoas para não ter que enfrentar filas, ameaça matar o cão do vizinho, desrespeita fragorosamente as leis de trânsito, engana o serviço social para adotar crianças com o intuito de realizar um assalto e, por fim rouba a lua (o que consegue graças a um raio miniaturizador!). Mas Gru também fica preocupado quando uma das crianças tem o seu brinquedo destruído, defende-as quando são ludibriadas por um comerciante inescrupuloso, prepara guloseimas para satisfazê-las, começa a brincar com elas e, por fim, se deixa envolver em amor paternal pelas crianças adotadas. Próximo ao final do filme Gru e as meninas são separados e ele luta para reconquistá-las e tê-las sob sua guarda. Ao estarem juntos, todos sob o mesmo teto como uma família, escreve uma história infantil onde conta metaforicamente a história deles e de como escolheu amá-las.

Antigamente o mal parecia estar sempre do outro lado. Facilmente identificado, por seus constantes atos condenáveis e sua aparência estética desfigurada, o mal era isolado e rechaçado. Maniqueistamente nos colocávamos ao lado do bem e criticávamos todos os que estavam do outro lado. Mas segundo alguns discursos atuais, a realidade é mais complexa. Diluiu-se ou diluímos a fronteira entre o bem e o mal.  Com menos Odetes e mais Grus no mundo de hoje, a distinção entre o bem e o mal fica cada vez mais difícil. As produções artísticas atuais têm buscado reproduzir essa nova caracterização e tentam diminuir a diferença de retidão de caráter entre os personagens bonzinhos e os vilões. Estes revelam bons comportamentos, aqueles mostram alguns traços de vilania. Aparentemente a tentativa não vem funcionando muito bem. Talvez os telespectadores estejamos acostumados com o maniqueísmo e tenhamos dificuldade em distinguir e escolher entre personagens que apresentam comportamentos bons e ruins simultaneamente.

Cada um de nós carrega em si o herói e o vilão, o bem e o mal, ou seja, somos contradições ambulantes perambulando sobre a face da Terra. Nossa dificuldade em fazer a distinção mostra que não sabemos lidar com um mundo repleto de pessoas que fazem tanto coisas boas quanto más. E quando chegam as eleições, a coisa fica ainda mais complicada, pois temos que escolher representantes imperfeitos, assim como somos todos. E as campanhas e estratégias de marketing torna-os todos absolutamente iguais. Cada coligação divulga seus candidatos como o mais preparado, o mais adequado, o mais virtuoso, o mais, o mais, o mais… Fazem pesquisas sobre os interesses e valores do cidadão médio e convergem as falas de seus candidatos nessa direção, de forma que todos falam e prometem praticamente as mesmas coisas, salvo raríssimas exceções. De outro lado, militantes e defensores dos partidos, envolvem-se inescrupulosa e incansavelmente em produzir e divulgar informações sobre como o outro é o errado, maquiavélico, fundamentalista, torpe, mau caráter, tem os piores aliados e levará o mundo para o caos social e econômico, a contradição e o abismo.

Nessa configuração eleitoral, alguns dotados de discernimentos ou interesses escolhem um lado rapidamente e defendem-no com unhas e dentes. A maioria de nós, entretanto, permanece atônita com o poder nas mãos enquanto reféns de uma absoluta dificuldade em caracterizar o bem e o mal. E, com o mal difuso, acabamos por aceitar e eleger corruptos, ladrões, opressores, fundamentalistas, vigaristas, racistas, homofóbicos e tantos outros que, embora não sejam o mal personificado, podem ser o que de pior há para nos representar. A tarefa é difícil neste mundo multifacetado, mas devemos nos esforçar e escolher o melhor. Mas mais importante, devemos buscar a democracia participativa e ocupar os espaços que nos cabem, nas associações, nos sindicatos, nas ruas. Usemos o discernimento que nos cabe e vamos à luta!

CULTURA



 Equinócio da Primavera 2014




"Vai-te ao longo da costa discorrendo
 e outra terra acharás de mais verdade,
lá quase junto donde o Sol ardendo
 iguala o dia e noite em quantidade."
                             Lus.,II,63

Reinaldo Coelho


Na astronomia, equinócio é definido como o instante em que o Sol, em sua órbita aparente, cruza o plano do equador celeste (a linha do equador terrestre projetada na esfera celeste). Os equinócios ocorrem nos meses de março e setembro quando definem mudanças de estação. Em março, o equinócio marca o início da primavera no hemisfério norte e do outono no hemisfério sul. Em setembro ocorre o inverso, quando o equinócio marca o início do outono no hemisfério norte e da primavera no hemisfério sul.

Em várias culturas nórdicas ancestrais, o equinócio da primavera era festejado com comemorações que deram origem a vários costumes hoje relacionados com a Páscoa da religião cristã.

No Amapá, mas precisamente na cidade de Macapá,  o fenômeno tem uma peculiaridade ele é visto no exato momento que acontece.  O Marco Zero do Equador é um monumento que está localizado aproximadamente a 4 KM da fortaleza de São José de Macapá, no hemisfério norte; cerca de 17 Km do porto de Santana, no hemisfério sul e a 2 Km do centro de Macapá.

Neste local construído para definir a passagem da linha do equador que divide a terra em dois hemisférios: Norte e Sul e para que possa ser visualizado o fenômeno do Equinócio, através do espigão  em que os raios do sol, incidem diretamente sobre a linha do Equador.

 Nessa ocasião, o dia e a noite tem a mesma duração em todo o planeta. Ocorre no mês de março no dia 20 ou 21, Equinócio da Primavera, que em Macapá coincide com o período das chuvas, e no dia 22 ou 23 do mês de setembro, Equinócio de Outono, que para nós corresponde à estação do verão.


Cultura e educação

Na ocasião o poder publico estadual e municipal, além de entidades privadas  buscam promover todos os anos o Equinócio com o desenvolvimento de projetos educacionais, esportivos, culturais e turísticos em busca de consolidar o espaço como produto turístico da região.
A programação oficial inicia no dia 20, com exposição fotográfica sobre o fenômeno do Equinócio e abertura do 6º Fest Jeep Club, cuja competição reunirá cerca de 30 jipeiros. As disputas continuam até o dia 21.
No dia 23, o fenômeno do Equinócio da Primavera será celebrado com queima de fogos e rufar dos tambores, além da exposição do Planetário Móvel Maywaka do Museu Sacaca e Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa).
A programação segue até o dia 30, com a exposição fotográfica no salão de eventos do Monumento Marco Zero do Equador.
Toda a programação é realizada com a parceria da Secretaria de Estado da Educação, Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá, Universidade Federal do Amapá, Prefeitura de Macapá, Companhia de Eletricidade do Amapá e Jeep Club de Macapá.
Confira a programação
Dia 20/09 (sábado)
9h - Abertura da programação com Exposição Fotográfica
15h - Reconhecimento da pista para início do 6º Fest Jeep Club
- Hasteamento da Bandeira
- Apresentação da Banda do Exército
Dia 21/09 (domingo)
9h - Exposição Fotográfica
15h - Competição do 6º Fest Jeep Club
- Exposição do Clube da Garagem
- Exposição da Associação dos Fuscas Antigos
18h - Encerramento do 6º Fest Jeep Club
Dia 22/09 (segunda- feira)
A partir das 8h - Exposição Fotográfica
Dia 23/09 (terça-feira)
8h - Celebração do Fenômeno do Equinócio da Primavera com queima de fogos e rufar de tambores
9h - Exposição do Planetário Móvel Maywaka
Das 8h às 18h - Exposição Fotográfica
Até o dia 30/09
- Exposição Fotográfica






6º Fest Jeep no Meio do Mundo, no Monumento Marco Zero  

O Jeep Club, realiza nos dias 19, 20 e 21 de setembro, a partir das 14h, no entorno do Monumento Marco Zero do Equador, a 6ª edição do Fest Jeep no Meio do Mundo. O evento faz parte da programação do Equinócio da Primavera 2014 e reunirá o espírito aventureiro e solidário de jipeiros amapaenses e de outros estados em uma grande competição. Esse é o terceiro ano que o evento ocorre dentro das ações do Equinócio, com a proposta de atrair a comunidade e turistas, popularizando essa modalidade de esporte na região.
De acordo com o presidente do Jeep Club de Macapá, Janilton Mourão, a programação busca reunir os aficionados pelo Off Road 4x4 do Amapá. "O evento proporcionará lazer e apresentará à comunidade um dos potenciais turísticos do Amapá no segmento turismo de aventura. É valido lembrar que para ser jipeiro não basta ter apenas um carro com tração 4x4, mas sim ter o espírito aventureiro e um coração solidário", acrescentou Mourão.
Para as competições, a pista localizada no entorno do Monumento Marco Zero do Equador será adaptada de modo a simular as trilhas e proporcionar adrenalina durante o percurso da competição.
No dia 19, a partir das 19h, na área do evento, a diretoria do Jeep Club de Macapá dará boas-vindas aos participantes. Haverá também a abertura da praça de alimentação e exposição nos estandes, com exibição de vídeos das expedições e trilhas do Jeep Clube de Macapá, seguidos do encerramento das inscrições, vistoria mecânica obrigatória dos 4x4 inscritos, orientação para colocação de adesivos nos carros, números, regulamento da prova, abertura da pista para treino livre e entrega dos kits piloto aos competidores.






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