CAPA 2º CADERNO

POLÍTICA


ARTIGO DO RODOLFO JUAREZ



A VERDADE É INSUBSTITUÍVEL

Em tempo de transparência – ou quase –, falsear informações ou modificá-las é um risco muito grande em qualquer circunstância, principalmente quando se trata de liberação de recursos resultante empréstimos vinculados a obras físicas, perfeitamente definidas, e que podem ser verificada a qualquer momento.
Toda a confusão criada na semana passada, quando foi divulgada a notícia truncada de que, ações de parlamentares do Amapá teriam sido decisivas para a não disponibilidade de um recurso que o Estado foi autorizado a emprestar e que está sendo liberado por parte.
O momento econômico crítico, o situação de emergência em alguns setores do Governo, o contingenciamento das despesas em outros, criam um ambiente claro de crise e, na crise, todo cuidado é pouco no sentido de otimizar os recursos escassos e caros, no momento de gastá-los, ainda mais quando se sabe que o tempo é longo para pagamento e os juros são muito altos.
Desfeita a confusa, reposta a notícia verdadeira, faltaram apenas os órgãos executores e de acompanhamento, apresentarem para o cidadão, o plano de investimento que será desenvolvido com esse dinheiro emprestado.
Observe-se que não se está, sequer, pedindo prestação de contas sistematizada e transparente, se quer apenas a lista de obras ou serviços, com os respectivos preços, para serem criadas as condições primárias de acompanhamento.
Quem sabe se esse plano ainda não está sendo preparado ou, então, uma lista de obras para substituí-lo, destacando as empresas contratadas, os prazos e a previsão de desembolso?
Afinal, o dinheiro tem destinação específica, mas o pagamento será feito, agora com recursos emprestados do BNDES, mas depois, com o suado e aumentado tributo de cada cidadão amapaense que já sabe que terá uma dívida para filhos e, até, netos.
Como se trata de um empréstimo para o Estado e não para o Governo, mas com a execução sob a responsabilidade do Governo, cabe ao governo executor criar as condições mais favoráveis para que haja o acompanhamento do desembolso pela população.
Será pedir demais?
Será que se entende, dentro do Governo, que a população não precisa saber como está sendo o gasto o dinheiro que ela vai pagar as empresas executoras?
Claro que precisa saber, até para evitar os contratempos e o disse-me-disse havido na semana passada quando foi colocada em dúvida a notícia veiculada pelo Governo, com fortes indícios de que não seria verdadeira, criando um ambiente desfavorável para todos e que acabou ficando o dito pelo não dito, mas a população teve a sua atenção despertada para a questão.
Esse processo, além de ser desgastante, pode ser perfeitamente evitado, basta que se estabeleça que a verdade é insubstituível e que a mentira deve ser banida, definitivamente, da prática dos auxiliares que gostam de agradar ao chefe.
Tomara que a lição tenha sido apreendida e que sejam tomadas as providências para a prestação de contas dessa parcela e daqueles que ainda estão pendentes e que precisaram de um liminar benevolente de um ministro do STF, falando pelo povo amapaense – ou melhor, no castigo que o povo não merecia –, para conceder um liminar e o BNDES pudesse liberar os recursos que todos estão pagando.

Juízo nas ações e respeito com o povo deve ser o lema do momento.

ARTIGO DO TOSTES




Projeto do Porto de Macapá

Em abril de 2013 foi realizado na cidade de Macapá, o evento denominado de SOS Cidades. O objetivo da relembrança sobre o que aconteceu neste encontro é de reavivar na memória as boas alternativas a partir de uma ampla discussão com diversos técnicos e instituições nas últimas semanas em Macapá. O tema do debate permeava sobre o grau de dificuldade, que tanto prefeitura quanto governo do Estado têm para idealizaram projetos mais arrojados para cidade. Os resultados deste encontro, passados dois anos, mostram mais uma vez que o poder público deixou de levar em conta os projetos idealizados que poderiam perfeitamente com alguns ajustes, se tornarem opções efetivas para o desenvolvimento urbano da capital.
Para conhecimento do público, o SOS Cidades é um evento promovido pela UBA (Universidade de Buenos Aires) vinculado a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, o objetivo é de congregar um bom número de professores, acadêmicos e técnicos para que durante o período de uma semana, seja discutido e colocado em prática propostas para cidade onde o evento se realiza. A metodologia consiste na formação de 10 grupos de trabalhos, entre os integrantes, a participação de acadêmicos de arquitetura e urbanismo da escola local.
É importante ressaltar que este evento, só foi possível ser realizado com a participação dos agentes envolvidos, Universidade Federal do Amapá, Prefeitura Municipal de Macapá e o Governo do Estado do Amapá. Na composição total, cerca de 150 participantes, entre locais e estrangeiros, entre os de fora, tiveram os seguintes países representados: Argentina, Chile, Costa Rica, Colômbia, Estados Unidos, México, Uruguai, Venezuela. Esta experiência foi enriquecedora na troca de experiências entre os estrangeiros e os macapaenses.
Durante toda a semana foram realizados trabalhos de pesquisa e estudos necessários para subsidiar as propostas que seriam apresentadas no último dia com a participação de um Júri composto de professores e arquitetos e urbanistas. Como parte do processo preparatório, os dois primeiros dias foram realizadas várias palestras pelos integrantes do SOS Cidades e por vários pesquisadores locais, com a finalidade de nivelar informações para todos os participantes.
No terceiro dia, os grupos foram constituídos para trabalharem os estudos e propostas na área de arquitetura e urbanismo. Um dos grupos de trabalho começou a desenvolver uma ideia sobre a criação do Porto de Macapá. De acordo com este grupo de trabalho, a concepção visava dar a orla da cidade, a dinâmica e a dimensão necessária para fluir todas as atividades verificadas na orla do Perpetuo Socorro e Santa Inês. Inicialmente foi realizada uma cronologia em relação ao uso e dinâmica da orla em várias décadas, resgatando inclusive a relação sobre a concepção do Trapiche Eliezer Levi, que servia atracadouro para quem chegava à Macapá, vindo de Belém do Pará.
Além da ideia do Porto de Macapá, a proposta consistia em grandes investimentos nas vias paralelas que ia da Candido Mendes a General Rondon, concepções envolvendo a utilização de uso misto entre residências e comércios, criando novas concepções e corredores, de certo havia alguns entraves relacionado às áreas públicas. Ficava evidente que o fundamento do Porto de Macapá, não era de um porto concorrente com o já existente em Santana, mas, atender a uma realidade da dinâmica da orla de Macapá.
Alguns obstáculos à proposta inicialmente, é que nesta possível proposição resultaria em um volume expressivo de recursos, além de demandar um bom número de áreas a serem desapropriadas, pelo elevado custo, talvez, inicialmente poderia inviabilizar a proposta, também se considerou como elemento de análise, o fato da proposta valorizar o eixo central a partir da Candido Mendes, implicaria em outros redimensionamentos mais radicais como no Canal da Mendonça Junior.
Se percebermos esta ideia como pressuposto futuro, de que Macapá ao mesmo tempo integrasse três princípios importantes: o turismo, a valorização da orla e redimensionamento da ideia do centro histórico. As ideias concebidas para este lugar em décadas ficaram restritas aos Planos Diretores da Fundação João Pinheiro (1973) e da HJ COLE (1977) em revitalizações urbanísticas na área de orla. A proposição deste grupo de trabalho era mais ousada, visava atender aos investimentos necessários, criando maiores dinâmicas a partir do Porto de Macapá. Como o grupo estava composto em sua maioria por integrantes da Universidade de Buenos Aires, havia sempre a comparação sobre o que aconteceu em Buenos Aires, na área de Puerto Madero.

Como fator interessante desta ideia, residia a criação e geração de emprego e renda, no fator histórico a serem incentivadas as metas seguidas, como elemento adverso, o elevado custo para ser implantado. O que mostra a concepção do estudo, é que para ser arrojado, é fundamental audácia, muito embora, se tenha a visão clara e racional dos custos daquilo de que é possível. Integrar toda a orla de Macapá e a dinâmica já existente, sem dúvida, é algo para ser pensado com calma e perspectivas mais visionárias, nunca deixar que a tacanhez e a timidez tome conta das ações do público e principalmente dos gestores, que se acostumaram apenas a materializarem o que é exigido cotidianamente.

INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Grupo de Trabalho define metodologias para implantação do Programa de Apadrinhamento Afetivo



Para dar continuidade ao plano de implantação do Programa de Apadrinhamento Afetivo, a Coordenadoria Estadual da Infância e Juventude (CEIJ), Vara da Infância e Juventude, psicólogos da FCRIA e representantes de Casas de Acolhimento participaram de mais uma reunião para debater sobre a metodologia utilizada no processo de apadrinhamento.
Durante a reunião, intermediada pela assistente social da Coordenadoria Estadual da Infância e Juventude, Doraylde Santos, foram discutidos vários pontos relacionados ao processo de apadrinhamento, que vai desde a avaliação do perfil da criança até a concretização do apadrinhamento afetivo.



Também no encontro, foram estabelecidas as metodologias e atribuições que os órgãos responsáveis pelos direitos das crianças e adolescentes deverão executar durante a implantação do programa de apadrinhamento.
Estimular a prática de apadrinhamento durante o ano todo é um dos principais objetivos do Programa de Apadrinhamento Afetivo. Além de descentralizar o apadrinhamento nos períodos de férias e final de ano, o estabelecimento desse novo hábito traria diversos benefícios para os apadrinhados.
Para incentivar essa ideia, uma das propostas é realizar o Encontro Anual de Padrinhos e Madrinhas, que irá homenagear e premiar instituições e pessoas que se mostrem, excepcionalmente, presentes e participativas na vida dos apadrinhados.
O Programa de Apadrinhamento Afetivo é voltado, principalmente, para crianças com idades mais avançadas e que fogem do perfil de adoção, isso ocorre para que esses meninos e meninas tenham a oportunidade de estar inseridos em um ambiente familiar.

Segundo a assistente social da Coordenadoria Estadual da Infância e Juventude, a ideia é implantar o apadrinhamento nas comarcas em que o programa ainda não existe, além de aperfeiçoar em Macapá e Santana.

Morar em áreas alagadas - É degradante para o homem e péssimo para o meio ambiente

ATLETA DE PONTA



Gilson Machado – Paratleta (Atletismo)


Qual é a sua meta? ‘Vencer as dificuldades postas pela vida e superar os desafios diários para se tornar uma referência no desporto amapaense?’ Para Gilson Machado as duas metas foram enfrentadas em conjunto.


Nascido no distrito paraense de Icoaracy, Gilson perdeu a visão aos 10 anos de idade, devido ao glaucoma. Ele narra que veio a Macapá acompanhando sua mãe para conhecer uma sobrinha recém-nascida, gostaram da cidade e aqui passaram a residir.
“Aqui em Macapá dei continuidade aos meus estudos, concluindo o Ensino Médio na Escola Professora Carmelita do Carmo”.
A prática esportiva sempre foi o sonho desse jovem de 35 anos de idade, porém a oportunidade nunca surgiu devido a sua deficiência. “Na minha infância e juventude, pratiquei artes marciais, como o Jiu-jitsu, com amigos. Quanto a pratica de atletismo sou recém-chegado na modalidade. Há mais ou menos dois anos que estou competindo”.
Com uma determinação de dar inveja a qualquer atleta de alto rendimento, Gilson Machado precisou ainda superar as dificuldades de apoio para os treinos. Porém, nada disso atrapalhou os planos e sonhos dele e da sua guia e esposa, Geerce Machado.

Paratleta ao lado da esposa e atleta-guia Geerce Machado

Hoje, paratleta, Gilson Machado é reconhecido como um dos melhores em sua categoria. “Pratico o atletismo de rua e de pista”. Além de que o jovem atleta é músico autodidata. “Comecei a tocar violão ‘de ouvido’. Estou treinando teclado. Toco e canto música gospel, com minha esposa, na igreja que frequento. Somos evangélicos. Já compus algumas músicas de louvor”.
Ele ressalta que começou a praticar o atletismo competitivo em 2013, na Corrida do Ministério Público. Vencedor do Norte/Nordeste de 2014, que foi realizado em Natal (RN), o paratleta tentou obter resultado significativo, repetindo os feitos de 2014, desta vez em março de 2015 em Recife (PE).
“Nas competições locais, os títulos de 1º lugar são meus na minha categoria de deficiente visual masculino. Fora do Estado em 2014, conquistei o primeiro lugar nos 400 metros, foi o segundo colocado nos 200 metros e repeti a segunda posição nos 100 metros, no circuito em Natal (RN) e, este ano em Recife (PE) fiquei com o segundo lugar no Norte/Nordeste”.
A segunda vitória quando disputou a mini maratona do Meio do Mundo, evento esportivo que inaugurou a nova pista de atletismo do Estádio Olímpico Milton de Souza Corrêa, o "Zerão", na tarde deste sábado (20), na Zona Sul de Macapá.



A disputa que contou com mais de mil atletas e na categoria deficiente visual, Gilson Machado e o atleta guia Gelison Machado ficaram em primeiro lugar.
“A largada aconteceu na Praça do Coco, com chegada ao Estádio Zerão. Completamos a prova com percurso de sete quilômetros em 30 minutos e 30 segundos. A pista é ótima”.

Dificuldades
Uma das diversas dificuldades do paratleta é com referência a local de treinamento. Até hoje Gilson Machado, que reside no Bairro dos Congós, em uma área de ponte sobre uma ressaca, é chegar até os locais de competições e treinos.
“As preparações tem sido muito fortes e espero poder repetir minhas vitorias. Sabemos que não será fácil, mas procuro treinar ao lado das pessoas que não são cegas para que eu possa ter um nível forte. Tomara que dê tudo certo para que eu consiga sempre vencer na minha categoria”, otimiza Gilson.
Ele relata que a falta de apoio financeiro torna mais difícil seus treinos e participações fora do Estado. “É difícil, pois tenho de andar até a área do entorno do Zerão para participar de treinamentos com meus colegas e orientação do Técnico João, da Equipe “Porta do Sol” que faço parte. Treino regularmente cinco vezes por semana. No meu treino diário tem aquecimento, condicionamento físico, alongamento e treinos táticos e técnicos com muitas repetições. Quando não posso ir até o Zerão treino aqui na Arena Esportiva do Congós, sempre ao lado de Geerce Machado, minha esposa e guia”.
Porém, Gilson Machado necessita de apoio para custear as despesas da viagem. De acordo com Geerce, as despesas com hospedagem, as passagens aéreas e dinheiro para manter os dois nos locais da competição são o maior drama.
“Infelizmente essa é a realidade do atletismo local. O Gilson está treinando forte, tem resultados muito bons, mas a dúvida é quando chegam as competições, pois não sabemos se iremos conseguir viajar por falta de apoio. Ambos estão desempregados”.
Gilson Machado informa que recebe do INSS, um salário mínimo que vem mantendo os dois. Eles residem no meio de uma ressaca nos Congós em uma palafita quatro por quatro, sem as minhas seguranças e saneamento. “Aqui já foi pior, na época da campanha foi construído essa passarela que agora podemos caminhar melhor. São quase um quinhentos metros para chegarmos até o asfalto”.


 O atleta-guia

Gilson Machado com o guia Gelison Oliveira

Atleta-guia é o profissional que orienta o competidor com deficiência visual durante a corrida, ele treina e corre ao lado do paratleta ligados por um cordão, ambos segurando uma corda, ou qualquer outra coisa que os mantenham unidos durante todo o percurso.
Nem sempre o atleta-guia foi premiado nas competições, as premiações eram apenas para os paratletas, mas desde o Pan-Americano em Guadalajara os guias passaram a receber premiação assim como os paratletas. Outro marco importante, no para-desporto brasileiro, é a possibilidade que o governo estuda de inserir o atleta-guia no programa bolsa-atleta.


ESPORTE


ESPORTE


BOLA AO CENTRO


CAPA 3º CADERNO

PIONEIRISMO




Sua história tem vários episódios, e uma grande frequência, tanto na vida esportiva, cultural, educacional, política... e, humana, porque o Chefe Humberto foi uma das grandes e extraordinárias figuras da vida amapaense, desde os períodos pioneiros do ex-Território.




Chefe escoteiro, desportista e vereador
CHEFE HUMBERTO (1922-1997)

O Amapá sempre teve a sorte de receber pessoas que somaram e muito com a sabedoria popular, cultura, desporto, arte, teatro, educação, comércio, enfim, com todos os segmentos da sociedade que em começava a surgir com a estruturação politica e social a partir da criação do Território Federal do Amapá. Muitos dos nossos pioneiros escolheram as terras amapaenses, muito antes do advento da decisão política de Getúlio Vargas, em 1945. Os que aqui chegaram com o novo governo territorial, completaram o organograma de uma nova comunidade na demografia brasileira. Um deles que hoje homenageamos foi o que se utilizou de todos os predicados para ajudar o Amapá a crescer, Chefe Humberto Dias Santos.
Seu nome completo era Humberto Álvaro Dias Santos. Nasceu em Bragança (Pará), em 2 de agosto de 1922, e faleceu em Macapá, em 2 de setembro de 1997, filho de Álvaro de Oliveira Santos e Amélia Dias Santos. O seu amor pelo escotismo já se configurava entre a infância e adolescência, na sua cidade natal. Desde cedo já praticava esportes, principalmente o futebol, sempre com a orientação de seu pai, grande desportista de Bragança, e pelos seus professores e chefes escoteiros.



Quando completou 12 anos, a família transferiu-se para Belém, e ele se formou em guarda-livros (correspondente ao curso de Contabilidade, nível médio), na antiga Escola de Ciências e Letras de Belém. Seu primeiro emprego foi na Companhia das Docas do Pará, em Belém, como despachante. Teve contatos com o pessoal do Clube do Remo, e foi aceito como aspirante, passando também pelo Paysandu Esporte Clube.
Em 1947 recebeu convite do presidente do Esporte Clube Macapá, Acésio Guedes, para jogar em Macapá, e Humberto aceita o convite com a condição de conseguir um emprego, o que prontamente o governador do Território do Amapá, Janary Nunes, conseguiu pela Legião Brasileira de Assistência (LBA). O azulão da Avenida FAB estava em seus melhores momentos de glória, e com reforço do jovem atleta, ficou melhor ainda, ganhando vários campeonatos. Também ele foi um dos fundadores do Juventus Esporte Clube, reestruturou o São José (Sociedade Esportiva e Recreativa São José). Também foi um dos fundadores do Trem Desportivo Clube em 1947.
Como escoteiro Humberto participou da fundação da Associação de Escoteiros Veiga Cabral. Apoiando os dirigentes Glicério Marques, Clodoaldo Nascimento e José Raimundo Barata, presidiu a solenidade de juramento à Bandeira, do primeiro grupo de escoteiros composto pelos então jovens Adélio Rodrigues, Altair Lemos, Edival Trindade, Eduardo Campos, Expedito Cunha Ferro (futuro 91), Lourenço Almeida, Lourival Fernandes, Luciano Pantoja, Mair Bemerguy, Pedro Monteiro, Raimundo Nonato Filho e Ubiracy Picanço. Com o apoio do Governo e dos chefes escoteiros, Humberto integrou a formação da primeira “Ala de Pioneiros”. Em 1953 juntou-se ao padre Vitório Galliano e Expedito Cunha Ferro para a fundação da Tropa São Jorge, com a participação de jovens do Oratório São Luiz, da Paroquia de São José (Casa dos Padres). Também participou da construção do Grupo de Escoteiros Veiga Cabral, que passou a ser denominado de Centro Cultural do Laguinho.

Educador
Na Educação, Chefe Humberto coordenou a primeira Colônia de Férias para os alunos que tiraram as melhores notas no período escolar de 1946, de um total de 94 escolas, sob orientação dos chefes Clodoaldo Nascimento, “91”, Raimundo Barata, e orientação espiritual do padre Vitório Galliani. Também o primeiro campeonato estudantil de 1950, com a participação de escolas municipais, teve a coordenação do Chefe Humberto. Em 1947 participou na organização e documentação e fundação do Grupo de Escoteiros do Mar Marcilio Dias.

Grupo Escoteiro Veiga Cabral

Cultura
Amante do Teatro, encenou no Barracão dos Padres e no Centro Cultural do Laguinho, com a participação da então jovem carnavalesca Alice Gorda, peças teatrais como “Dona Baratinha”, “João e Maria”, “O Cordão do Papagaio”, “O Cordão do Urso”, “Boi Pai da Malhada”, “Cordão do Uirapuru”, “Cordão do Japim”, “Martim Pescador” e outras de cunho folclórico.

Golpe Militar
Mas o Golpe Militar de 1964, que muitos insistem em denominar “Revolução” (o que é um verdadeiro contrassenso), colocou os chefes escoteiros, no Amapá, como corruptores de menores. Para não ser preso, chefe Humberto refugiou-se no Colégio Diocesano, sob a proteção do bispo d. Aristides Piróvano.
Seu ingresso na política foi como candidato a vereador de Macapá, fazendo sua campanha junto ao eleitor jovem, recebendo muito apoio. Tomou posse no dia 1 de janeiro de 1970, tendo como companheiros, Antonio Carlos Cavalcante, Laurindo dos Santos Banha, Lucimar Amoras Del Castillos, Orlando Alves Pinto, Paulo Uchoa, Pedro Petcov, Stephan Houat e Walter Banhos de Araújo. Seu trabalho no legislativo provocou uma série de reeleições, permanecendo até 1988, somando-se 18 anos de trabalhos voltados às comunidades carentes distantes de Macapá, como o Bailique, e as regiões da Pedreira e do Pacuí.



Família
Casou-se com Gilberta Araújo dos Santos. Aposentou-se pela LBA e, até sua morte (1997), dividindo seu tempo entre Macapá e uma propriedade rural no Curralinho. As façanhas de Chefe Humberto estão sendo coletadas, com a ajuda do seu filho David Santos, para que façam parte de uma obra sobre a história da Câmara Municipal de Macapá.

Sua história tem vários episódios, e uma grande frequência, tanto na vida esportiva, cultural, educacional, política... e, humana, porque Chefe Humberto foi uma das grandes e extraordinárias figuras da vida amapaense, desde os períodos pioneiros do ex-Território.

Texto de Edgard Rodrigues



ANTENADOS



A quieta procura

Quando menor, conversando com um adulto, na doce gabolice infantil de tão inesperadamente receber atenção perdurada dos seres mais velhos, eu odiava aquele momento em que de repente o olhar do outro se perdia, se desprendia do meu rosto e começava a vagar pelo aposento até se fixar num ponto morto. E os olhos deles então se faziam vazios e vidrados, e eu sabia ali que tinha perdido meu adulto, passara a falar sozinha.
Lembrança forte que tenho é daquela tarde, hoje já amorfa e indefinível, impossível de se rastrear com exatidão no calendário, uma tarde em que eu, pequenina, conversava com tia minha sobre um bobo assunto sério meu, e ela prestava tanta atenção em mim que me embevecia, para então o encanto ser tirado: os olhos dela se moveram, se esvaziaram, resvalaram até o vidro das grandes portas de madeira que se abrem na sala da casa para o jardim, e se grudaram então na flor alaranjada de um hibisco que havia ali fora, para jamais voltarem a meu rosto por longo tempo.
Foi esse o momento em que finalmente pude dar nome ao que já vinha percebendo: os adultos não prestam atenção. E desde então eu vinha crescendo no esforço de ser sempre uma criança muito atenta. E quando os adultos começavam a encarar os vazios, eu os olhava com a agressividade passiva de quem queria entender com todas as forças o seguinte mistério: "O que será esta quieta procura? O que é que buscam?"
E a minha própria procura era tentar ver nas pupilas adultas qualquer ponto cristalino que me permitisse acessar suas cabeças e descobrir o que é lhes ensimesmava tanto.
Mas houve momento em que cresci e é provável que tenha me tornado também um adulto de buscas quietas. Não sei bem quando me rendi à mazela do alienar-se, mas é bem provável que de modo algum eu pudesse evitá-la.
A confirmação de meu estado veio agora nessas últimas férias que passei ao lado de minha irmã pequena. Por diversas vezes eu me flagrava sendo flagrada por ela naqueles alheamentos tão próprios dos adultos. Conversávamos nós duas e de repente era como se já não conseguisse acessar o sentido do que a pequenina me dizia, interessava apenas o pensamento que ia se tecendo no meu coração, súbito, ensurdecendo os meus ouvidos e de repente conduzindo meus olhos para qualquer ponto vazio do quarto.
Assustei-me quando notei que fazia assim o mesmo que fizeram desde o princípio dos tempos todos os adultos e que eu em criança condenara. Agora, sendo grande e olhando o mistério de dentro, entendo: não há explicação para ele, nada o legitima.
Mas eu tenho esperanças de que agora possa conciliar o mundo da infância com o mundo dos estranhos crescidos dando testemunho de que na verdade essa quieta procura não deve em nada magoar os meninotes porque, a sério, é muitas vezes nos pequenos que está a resposta ou o objetivo de toda busca empreendida por um adulto.
Como quando faço a minha irmã uma pergunta qualquer, propositadamente plantada a soar natural, do tipo: "Maninha, o que é um pensamento?", ou "O que é um sonho?", e nesse momento é a criança que não percebe que estou inteiramente submersa nela, ouvindo atenta a resposta e querendo-a, me admirando de tudo o que diz em seu malabarismo inventivo e pueril de me explicar o mundo através de seus olhos.
Que as crianças estejam em paz com os adultos. Os adultos também procuram quietamente por verdades arrasadoras em respostas sérias e comprometidas e sem suspeita dos olhinhos infantis.

ENTRELINHAS



Reitores têm que escolher o que não pagar!


Arley Costa

As universidades federais, apesar de toda a enorme contribuição para o desenvolvimento do Brasil, há tempos sofrem um processo de desmonte. No governo de Fernando Henrique Cardoso a técnica envolveu um torniquete nos recursos e na contratação de docentes e servidores técnico-administrativos. Depois, aproveitando o sufoco provocado pelo estrangulamento anterior, os governos de Lula e Dilma estipularam uma nova metodologia, desta vez disfarçada de expansão. Oferecendo como contrapartida a reforma ou construção de alguns prédios e o aumento de 20% dos recursos de custeio (não no total dos recursos), exigiram uma modificação na relação professor aluno, o que significou, em números gerais, dobrar o número de alunos nas universidades federais.
Os reitores, desesperados com as carências e o caos vivenciado nas instituições, correram a aceitar a proposta que parecia gerar um alento, mas que, de fato, ampliava os problemas existentes. Com volume de recursos por aluno diminuído e contratação de docentes e servidores técnico-administrativos em número insuficiente para suportar a ampliação do número de estudantes, não havia forma de suportar a expansão promovida de forma desregrada por meio da nefasta política implantada, cinicamente intitulada de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI). Ao caos instalado, somou-se a crise econômica. E, sob o slogan “Brasil: Pátria Educadora”, o governo Dilma retirou 10 bilhões de reais da educação federal, enquanto ampliou os recursos para as instituições privadas sob a égide do FIES e do PROUNI.
Sob os corte, as dificuldades viram crise generalizada. Várias instituições, como a UFRJ, adiaram o início das aulas como meio de contornar a falta de recursos, mas a estratégia foi insuficiente. Os problemas e cortes orçamentários sistematicamente atacam a graduação, em especial aqueles que não possuem parcerias público-privada, venda de serviços ou outros mecanismos de captura de recursos. A alegação é a de que esses cursos sofrem dificuldades por serem de baixa produtividade e são, portanto, a causa de seus próprios problemas. Culpa-se a vítima, enquanto o governo, (ir)responsável e algoz, destina cada vez menos recurso por aluno para as universidades. Mas eis que os cortes chegaram aos programas de pós-graduação (foram retirados 75% dos recursos PROAP) e não escaparam sequer aqueles com nota máxima e considerados de altíssima produtividade e inserção internacional. Caiu por terra o discurso da produtividade e competência.
A expectativa, diante de tal quadro, era a de que a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino (ANDIFES), que congrega os reitores das universidades federais, se posicionasse de forma contundente contra os problemas e cortes instituídos. Alternativamente, poderiam apelar gentil e solicitamente para que recursos e soluções fossem disponibilizados. Poder-se-ia esperar que tivessem suas solicitações acatadas por gozar de algum prestígio junto a presidente, pois durante a eleição de 2014, declararam apoio à candidata Dilma nada menos que 54 dos 59 reitores. Apoio, destaque-se, fartamente divulgado na campanha.
Dilma eleita, caos nas universidades, crise econômica e corte de 10 bilhões nos recursos da educação pública. Ato contínuo, ANDES, FASUBRA, SINASEFE e movimento estudantil agitam greves e manifestações buscando soluções para o problema. Após longo silêncio, o governo apresenta respostas, tremendamente insatisfatórias, e focadas apenas nas questões remuneratórias. Descarta as reivindicações sobre a questão das organizações sociais (OS), da carreira docente, da contratação de pessoal e, por fim, o representante do MEC afirma com todas as letras que os problemas existentes não dizem respeito às ações do governo, mas que são dificuldades de gestão dos reitores. Leia-se, portanto, nas palavras do governo, que os reitores são incompetentes, já que não faltam os elementos necessários para que as universidades funcionem a contento.
Às reivindicações dos grevistas, o governo diz que os reitores possuem vagas autorizadas pelo MEC para efetivar as contratações necessárias e que, portanto, não há carência real de pessoal, apenas problema de gestão. Alega ainda serem os recursos recebidos suficientes e que os reitores devem resolver seus problemas de gestão. Afinal, o governo não possui problemas de gestão, certo? Ao ser questionado na mesa de negociação, por ANDES, FASUBRA, SINASEFE e movimento estudantil (não pela ANDIFES) sobre as dificuldades de funcionamento das universidades que se tornaram ainda mais agudas com os cortes orçamentários, o representante do ministério soltou uma pérola. Disse com todas as letras que cabe aos reitores escolher o que pagar e o que não pagar! Surreal! Não há outra forma de qualificar essa expressão! Ainda mais surreal é saber que os reitores e a ANDIFES, como um todo, diante de tal impropério, silenciam!
Sepulcral, o silêncio ressoa quando várias universidades demonstram estar com dificuldades para retomar as aulas em agosto se o problema financeiro não for resolvido pelo governo e pretendem apoiar-se na greve para não dar evidência ao caos. Temos, então, problemas enormes de um lado, os quais justificam mais que nunca a ocorrência de greves em defesa da universidade, e críticas do governo aos reitores de outro. Mas, curiosamente, os reitores têm desaparecido de suas respectivas comunidades universitárias e não vêm a público esclarecer quantas vagas cada universidade realmente têm, pois o governo se nega (isso mesmo, se nega) a fornecer essa informação. Os ônus, portanto, ficam com os reitores, mas estes, como aparentemente não querem indispor-se com o governo, aceitam ser os culpados no processo. Depois dos reitores terem assinado a carta de apoio à Dilma durante o processo eleitoral e do descompromisso reiterado do MEC em sustentar a expansão precária promovida pelo governo federal via REUNI, mesmo para as universidades que cumpriram rigorosamente as metas e atenderam todas as demandas governamentais, era de se esperar que os dirigentes das universidades fossem tratados com um pouco mais de respeito. Mas o respeito não veio, pois barganhar respeito com subserviência exagerada nunca dá bons resultados.

Aos reitores que pensaram que a subserviência do apoio político garantiria recursos para suas universidades só resta a conclusão de que... se ferraram! Os pires continuam estendidos e vazios, enquanto o governo afirma que estão vazios porque os reitores não sabem mantê-los cheios. Mas talvez haja um resquício de esperança! Na manhã da última quarta-feira, 29 de julho, noticiou-se que a ANDIFES pediria audiência com Dilma e ministros para se manifestar contra os cortes nos recursos das Instituições Federais de Ensino. É aguardar pra ver o tom dessa manifestação e as respostas do governo. Se o posicionamento não for novamente de subserviência extrema, então, representará um primeiro passo, tímido, muito tímido, é verdade, mas talvez, só talvez, signifique que as entidades vinculadas à produção e difusão de conhecimento no Brasil voltem à proatividade e atuação política que tiveram no passado em defesa da universidade e da ciência. É esperar pra ver!

CULTURA



40 ANOS DO GRUPO PILÃO
Valorizando a cultura local e popular em todas as suas manifestações


Bi Trindade, Fernando Canto, Orivaldo Azevedo, Marilene Azevedo,
 Juvenal Canto, Leonardo Trindade e Eduardo Canto,

Passados quarenta anos, o Grupo Pilão está na estrada com a mesma determinação. Claro, as dificuldades são muitas, mas como disse uma vez a nossa querida Elba Ramalho, "o artista está sempre começando". Cada dia na vida do artista é um recomeço.


Reinaldo Coelho
Da Editoria


Anos 70, década da efervescência cultural. Foi nesta época que o Grupo Pilão saía de um sonho pelos microfones da Rádio Difusora, há quatro décadas, no III Festival da Canção do Amapá, em 1975. Foram apresentados ao Amapá e ao Brasil, na mesma época que os brasileiros acabavam de conhecer Geraldo Azevedo, Alceu Valença e o Quinteto Violado.
No referido festival foi apresentada a música “Geofobia” (de Fernando Canto e Jorge Monteiro) que tinha um Pilão como instrumento musical, tocado para marcar o ritmo. Nessa época o jovem grupo era formado por Fernando Canto, Bi Trindade e Juvenal Canto todos oriundos dos movimentos católicos de juventude.



 O grupo nasceu gerando polêmica, a música apresentada e defendida por eles no festival foi a canção preferida do público, porém ela foi ignorada pelo júri do Festival e desqualificada gerando forte matéria jornalística sob o título “Festival terminou com vaias ao júri caduco e alienado” (Jornal do Povo, Ano I, nº 82, de 27.09.75).
O Grupo Pilão já realizou inúmeros shows, gravou três discos e divulgou a cultura amapaense no Brasil e no exterior. Hoje, poucos se lembram das músicas ganhadoras do histórico III FAC, no entanto “Geofobia”, que compõe o CD “Na Maré dos Tempos” de 1996, faz parte do imaginário musical amapaense.
A maioria das músicas gravadas pelo Grupo é de autoria de Fernando Canto. Outros compositores como o falecido Bi Trindade, Eduardo Canto, Sílvio Leopoldo e Manoel Cordeiro têm músicas gravadas nos três CDs que compõem a discografia do Grupo.
De acordo com os membros atuais do grupo, muitos músicos passaram por ali. Eles afirmam que tem uma história e dela se orgulham. “Resistimos ao tempo e suas adversidades. Não nos deixamos levar por modismos ou consumismos, respeitando com fidelidade o nosso público. Fomos verdadeiros em tudo”.
A estruturação do Grupo Pilão começou a acontecer em 1980 quando realizou projetos culturais nas escolas da capital e do interior, além de shows eventuais de divulgação das suas músicas.
 Os membros atuais estão juntos desde aproximadamente 1995. É formado por Orivaldo Azevedo (percussão), Eduardo Canto (percussão), Bi Trindade (voz) recém-falecido, Juvenal Canto (voz e violão), Leonardo Trindade (violão) e Fernando Canto (cavaquinho e violão).

A valorização da cultura amapaense



A ideia do Grupo sempre foi a de valorização da cultura local e popular em todas as suas manifestações. Acreditamos que com a pesquisa musical séria e a sua divulgação podiam dar mais valor a identidade amapaense e amazônica, para fortalecê-la. Nesse contexto praticamente fizeram o mapeamento musical folclórico do Estado, promovendo as suas manifestações mais importantes e dando-lhes o (re) conhecimento e o retorno que merecem. “Muito ainda precisa ser feito, pois o cancioneiro popular do Amapá é vasto e entrelaçado, devido ao alto fluxo migratório que traz para cá pessoas e culturas diferentes”.
Tendo sobrevivido há quatro décadas lutando bravamente em prol da música do Amapá, sua base de componentes continua a mesma juntamente com as ideias de valorização de nossas coisas, através da pesquisa e da preservação dos valores mais autênticos da cultura amapaense.

Amapá perde o músico Bi Andrade



O músico e professor de francês, Benedito Trindade Machado, (o Bi Trindade), morreu aos 62 anos (23/12/13). Bi, como era conhecido no meio musical e pelos amigos, era integrante do grupo Pilão, formado em 1975 no Amapá, e havia gravado um disco solo com músicas em francês. Ele já se preparava para lançar um novo trabalho solo.
Formado em letras pela Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), Bi tinha especialização na França. Recentemente, o músico, que nasceu em Abaetetuba, no Pará, recebeu o título de Cidadão Macapaense, concedido pela Câmara Municipal de Macapá.
"O grupo Pilão perde um de seus mais importantes membros e a cultura do Estado do Amapá perde um de seus grandes nomes, além de um interlocutor da cultura brasileira com a cultura francesa", disse o sociólogo e músico Fernando Canto, um dos fundadores do Pilão.
Bi Trindade era casado e deixou quatro filhos e uma neta.

Adaptação do texto de André Mont'Alverne reproduzido do blog "Canto da Amazônia", de Fernando Canto.




ARTIGO DO GATO


IJOMA


Brinquedoteca do IJOMA inicia suas atividades



No dia 24 último, pela manhã, muitas brincadeiras, alegrias e crianças sorrindo marcaram o final da colônia de férias do Instituto do Câncer Joel Magalhães (IJOMA).
Iniciada na quarta-feira (dia 22), a colônia teve participação de crianças da comunidade, moradoras do entorno da Instituição.
O evento é parte do projeto “Brinquedoteca, Espaço para Brincar, Aprender e Criar”, criado desde abril desde ano.
A brinquedoteca foi inaugurada em outubro de 2014, doada pela Fundação Telefônica Vivo, que na época levou seus voluntários para criação do espaço no prédio da entidade, oportunidade em que fizeram a pintura, decoração, e compra de materiais para organização do empreendimento.



Neste mês de agosto o projeto inicia com toda força e já tem turmas definidas. Serão três turmas com 12 alunos cada.
O atendimento será oferecido para crianças de 6 a 8 anos, no contra turno, a fim de ajudar no aprendizado e criar momentos de lazer aos pequeninos.
A pedagoga Eugênia Mesquita, cedida pela Secretaria de Estado da Educação (SEED), é quem está a frente do projeto da brinquedoteca do IJOMA.
Segundo Eugênia, o espaço do IJOMA é  bem organizado para receber o público infantil. “Toda criança tem direito a liberdade de brincar e tendo no instituto um espaço tão bonito, bem estruturado, nada impede de trabalhar o aprender, criar e poder colaborar com o desenvolvimento da  aprendizagem das crianças de forma orientada e divertida, disse”.

DE TUDO UM POUCO



PROFISSÃO: PROFESSOR – ATIVIDADE: ENSINAR


Juracy Freitas

Pode parecer estranho o título deste artigo, mas há muito desejava falar sobre ele, até como forma de complementar as várias afirmações e deduções ou interpretações que faz-se a respeito dessa figura emblemática e de sua atividade substantiva.
Preliminarmente desejo expressar minha absoluta contestação sobre a designação dada às Secretarias de Educação, vez que não está em sintonia com seus reais objetivos, tomando-se como raiz a terminologia da palavra “educar”. Ao meu sentir, a nomenclatura mais apropriada seria Secretaria de Coordenação de Ensino, por exemplo.
Ainda lembro da época do curso de alfabetização, em Soure, quando meus pais referiam-se a duas personalidades extremamente importantes na vida das crianças: o padrinho (a), a quem era atribuída a obrigatoriedade da obediência irrestrita, com tomada de bênçãos, conselhos e tudo o mais. Eram como se fossem nossos pais; a outra, o professor (a) a quem fora atribuída a responsabilidade de ensinar-nos, dar-nos conhecimentos técnicos e científicos, aliados aos nossos conhecimentos empíricos e atávicos. Afirmavam que o primeiro professos (a) seria aquele que nós nos lembraríamos para sempre. Sábia previsão, porque lembro até hoje da Professora Maria José, do Grupo Prof. Alexandrino Batista da Silva.
Disse que esse profissional (veja o termo aplicado), pelas muitas qualidades que possui, é uma figura emblemática. Justifico assim para ser coerente com a titulação dada à Secretaria de Ensino: EDUCADOR – Individuo que promove no educando (aluno, discípulo) o desenvolvimento harmônico de sua capacidade física, intelectual e moral. Lembram-se de Jesus, o Messias, que aos seus discípulos ensinava as maravilhas do Evangelho. Esse profissional tem qualificações específicas de atuação no campo da educação completa, particularizando, evidentemente, contemporizar harmonicamente suas aptidões intelectuais empíricas com os ensinamentos a serem ministrados. MESTRE – individuo conhecedor ou perito que ensina. Logo, esse profissional tem que ser detentor de conhecimentos técnicos para que possa ensinar sua arte à alguém: aluno, discípulo, aprendiz.
Trago ao parágrafo, em destaque, o termo PROFESSOR, pelas várias nuances que lhe são pertinentes: 1) – É profissão, identificada pelo Ministério do Trabalho, como o individuo que está tecnicamente preparado para ENSINAR (o Mestre); 2) É Mestre, por que compartilha seus conhecimentos com seus alunos, com seus discípulos; 3) É Artífice, porque usa a técnica e o conhecimento quando da transmissão desses saberes.
Algumas ou muitas pessoas denominam o exercício dessa profissão (Professor) como um SACERDÓCIO, cujo emprego não está diretamente vinculado à profissão, mas indiretamente á atividade por ele exercida, pois é missão nobre, honrosa e muitas vezes sacrificada pelas péssimas condições materiais que lhes são impostas.
Também, arvoro-me a afirmar que não é MISSÃO, vez que o exercício profissional não requer uma diretriz, um objetivo único ou principal, como o do soldado que tem como missão defender a Pátria.
Enfim, também não é VOCAÇÃO, porque não é chamamento pessoal, não escolhemos ser Professor, Educador, Mestre. Mas se essa for a escolha, deve imbuir-se desse privilégio de poder transformar, modificar e preparar futuros cidadãos e cidadãos.
Lembremo-nos dos nossos primeiros Educadores, Professores e Mestres, nossos Pais. Esses sim são os legítimos detentores desse maravilhoso tripé da formação intelectual do Ser Humano.
Eu não exerço a profissão de Educador nem de Professor. Sou CONTADOR profissional, formado em Ciências Contábeis. EU SÓ QUERO ENSINAR, se deixarem, pois não tenho diploma de Mestrado, nem Doutorado.

Para reflexão semanal: “Um discípulo perguntou a Jesus: de onde tens tanto conhecimento? – respondeu-lhe o Mestre – ‘Meu pai deu a mim esse dever – o de ensinar’’.



COLUNA CATÓLICA



Santo Afonso Maria de Ligório


 No dia 1º de agosto se comemora a festa de Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo, Confessor e Doutor da Igreja. Fundador da Congregação do Santíssimo Redentor é o tratadista por excelência da moral católica, e se destacou por sua profunda devoção a Nossa Senhora, em louvor da qual escreveu uma de suas mais belas obras, as Glórias de Maria.
Dele temos essa síntese biográfica, escrita por Dom Guéranger:
Afonso Maria de Ligório nasceu de pais nobres, em Nápoles, a 27 de setembro de 1696. Sua juventude foi piedosa, estudiosa e caritativa. Aos 17 anos ele era doutor em direito civil e canônico. E começava pouco depois uma brilhante carreira de advogado. Mas nem seu sucesso, nem as instâncias de seu pai, que o queria casado, o impediram de deixar o mundo. Diante do altar de Nossa Senhora, fez o voto de se tornar sacerdote. Ordenado padre em 1726, consagrou-se à pregação. Em 1729, uma epidemia permitiu-lhe que se dedicasse aos doentes em Nápoles. Pouco depois retirou-se, com companheiros, a Santa Maria dos Montes, e com eles se preparou para a evangelização dos campos.
Em 1732, estabeleceu a Congregação do Santíssimo Redentor, que lhe deveria acarretar numerosas dificuldades e perseguições. Mas enfim os postulantes afluíram e o instituto se expandiu rapidamente. Em 1762 foi nomeado Bispo de Santa Ágata dos Godos, perto de Nápoles. Empreendeu ato contínuo a visita à sua diocese, pregando em todas as paróquias e reformando o clero. Ele continuava a dirigir seu Instituto e o das religiosas que tinha fundado para servir de apoio, por sua oração contemplativa, a seus filhos missionários.
Em 1765, demitiu-se do ministério episcopal e voltou a viver entre seus filhos. Dentro em pouco uma cisão se produziu no Instituto dos Redentoristas, e Santo Afonso se viu expulso de sua própria família religiosa. A provação foi muito grande, mas ele não perdeu a coragem e predisse mesmo que a unidade se restabeleceria depois de sua morte. Às suas doenças se acrescentaram sofrimentos morais que lhe causaram longas crises de escrúpulos e diversas tentações. Porém, seu amor a Deus não fez senão crescer.
Enfim, no dia 1º de agosto de 1787, entregou sua alma ao Senhor, na hora em que os sinos tocavam o Ângelus. Gregório XVI o inscreveu no catálogo dos Santos em 1839, e Pio IX o declarou Doutor da Igreja.

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